domingo, julho 21, 2024
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Casal se cura de câncer após passar pelo mesmo tipo de transplante: ‘Um ajudando o outro’

Enquanto acompanhava a esposa durante o tratamento contra um câncer no sistema linfático, Uilton Moreira Fernandes não esperava que, cerca de 7 anos depois, seria diagnosticado com a mesma doença: um tumor na medula óssea.

Ana Paula Colela, de 37 anos, foi diagnosticada em 2007, quando iniciou o tratamento, e o companheiro de 41, em 2013. O casal, de Mirassol (SP), se curou após o transplante de medula autólogo – com células do próprio paciente – feito no Hospital de Base (HB), em São José do Rio Preto (SP), pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Após lutarem contra o câncer, Uilton Moreira se casou com Ana Paula Colela em 2016 — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Após lutarem contra o câncer, Uilton Moreira se casou com Ana Paula Colela em 2016 — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Juntos há 16 anos, Ana Paula e Uilton não se conheceram em circunstâncias comuns: os caminhos se cruzaram durante a batalha da pedagoga contra a doença, que exigia o transplante. Foi nesse período, entre idas e vindas dos exames, que se aproximaram e o amor se fortaleceu diante das adversidades.

Isso porque, ao g1, Uilton relata que conheceu a esposa por meio de um amigo em comum, que contou que Ana Paula passava pelo difícil tratamento contra o câncer, junto à recuperação pós-transplante.

Ana Paula Colela e Uilton Moreira Fernandes foram transplantados em Rio Preto (SP) — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Ana Paula Colela e Uilton Moreira Fernandes foram transplantados em Rio Preto (SP) — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

A amizade que desenvolveram, pouco a pouco se transformou em algo maior. Conforme o Uilton, à medida que o tratamento progredia, o vínculo entre eles se fortalecia. Conversas sobre o hospital deram lugar a passeios e encontros românticos.

Em 2008, um ano depois, Ana Paula e Uilton começaram a namorar. Em 2013, a pedagoga descobriu que estava curada. Contudo, naquele ano, o destino ainda tinha desafios reservados e Uilton viu a história se repetir: ele também foi diagnosticado com câncer.

“Uma coisa muito difícil é parar a vida. A gente não pode trabalhar, estudar, vive uma rotina desgastante entre hospital e casa. São muitos exames, internações, remédios. É bem difícil, mas um ajudando o outro ajuda demais”, reflete Uilton.

Casados desde 2016, Uilton Moreira e Ana Paula Colela superaram o câncer — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Casados desde 2016, Uilton Moreira e Ana Paula Colela superaram o câncer — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Depois do transplante de medula, já em 2020, Uilton precisou fazer uma cirurgia para retirada de um tumor na coluna. Devido ao procedimento, chegou a ficar em coma por seis dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e teve paralisia em um dos rins.

Por conta disso, precisou fazer hemodiálise e a quimioterapia ainda na UTI. Após seis meses, ele, que aguardava na fila, conseguiu fazer o transplante. Naquele momento desafiador, Uilton lembra que o apoio da esposa o sustentou.

Uilton Fernandes e Ana Paula Colela começaram a namorar em 2008 em Rio Preto (SP) — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

Uilton Fernandes e Ana Paula Colela começaram a namorar em 2008 em Rio Preto (SP) — Foto: Uilton Moreira Fernandes/Arquivo pessoal

“Eu nunca imaginaria que eu passaria pelo mesmo problema que ela. Eu sentia que ela sofria muito e, depois, passei pelo mesmo tratamento. Na época, quando ela me apoiou, foi o máximo. O apoio dela me fez enfrentar a situação com fé, com garra”, lembra Uilton.

Após meses em tratamento, com altos e baixos, a vida ofereceu uma chance ao casal que superou a doença junto. De acordo com Uilton, o transplante de medula óssea trouxe não apenas novas células para seus corpos, mas também um novo sentido para a vida.

O que é o tratamento autólogo?

O chefe do serviço de transplante de medula óssea da Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme), João Victor Picollo Feliciano, explicou ao g1 que o transplante autólogo funciona como um “truque” no corpo humano para combate ao câncer.

Nesse tipo de transplante, as células-tronco do próprio paciente são coletadas e utilizadas para a recuperação após a quimioterapia – como uma espécie de autotransplante. A indicação está relacionada ao quão ativo o câncer está após o tratamento inicial.

“A medicina inventou um truque, na verdade. A gente retira antes de fazer essa quimioterapia as células-tronco do paciente, que são as células que são responsáveis pela produção de sangue, armazena elas congeladas no hemocentro, faz a quimioterapia no paciente, depois a gente recoloca essas células”, explica o médico.

Caso não fosse possível injetar as células novamente no paciente, Picollo explica que o paciente teria problemas com a produção de sangue ao longo da vida, já que a quimioterapia “ataca” o câncer, mas também “destrói” a produção como efeito colateral.

O resultado, conforme o profissional, é um controle do tumor de uma maneira efetiva. O transplante de medula óssea autólogo é indicado nos casos de linfoma – como o caso de Ana Paula – e mieloma múltiplo – como o caso de Uilton.

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