O documentário “Desmascarando um Monstro: Aileen Wuornos”, lançado pelo canal ID e disponível na HBO Max, traz uma inovação no gênero true crime ao utilizar inteligência artificial para recriar cenas da vida da infame serial killer americana. A produção combina entrevistas, imagens de arquivo e reconstituições visuais geradas por IA, prometendo uma experiência mais autêntica para os espectadores.
A produção faz uso de “efeitos visuais generativos avançados” para criar uma versão digital de Wuornos, executada em 2001. Essas recriações visam ilustrar momentos cruciais dos sete assassinatos pelos quais ela foi acusada. Stephen Dost, da Arrow Media, descreve a técnica como uma “máscara digital”, que oferece um realismo inédito nas reconstituições.
Jason Sarlanis, presidente da Investigation Discovery, destaca a mudança nas expectativas do público de documentários de true crime. Segundo ele, os espectadores buscam representações visuais mais autênticas, que vão além das entrevistas e encenações tradicionais. A tecnologia de IA permite que imagens de arquivo sejam reproduzidas com maior precisão, mesmo quando não existem gravações originais.
A ideia para o documentário surgiu há cerca de três anos, durante uma conversa entre Sarlanis e Dost sobre a possibilidade de aplicar tecnologia semelhante à usada na comédia britânica “Deep Fake Neighbor Wars”. A dupla viu potencial em desenvolver um método inovador de contar histórias, que utilizasse a IA de forma cuidadosa para enriquecer a narrativa documental.
O documentário também lida com as implicações éticas do uso da IA. Dost afirma que o consentimento foi obtido de todas as pessoas cujas imagens digitais foram usadas, exceto de Wuornos, devido ao seu status de figura pública. A equipe optou por não usar a tecnologia em casos onde houvesse incerteza, como no caso do investigador Mike Joyner, falecido, cuja representação foi feita por um ator semelhante.
A produção reafirma seu compromisso com a autenticidade, garantindo que os roteiros foram baseados em documentos judiciais e entrevistas com envolvidos no caso, sem invenções. Morag Peacock, atriz responsável por dar vida a Wuornos nas reconstituições, estudou minuciosamente as gravações da serial killer para capturar suas expressões e maneirismos.
Apesar das preocupações iniciais com a tecnologia, Peacock e a equipe ficaram satisfeitos com o resultado final. Para Sarlanis, a inovação pode atrair mais atenção para o documentário, destacando-se em um gênero saturado de opções. Dost enfatiza que a essência da produção é humana, comparando o processo à transformação de Charlize Theron para interpretar Wuornos no filme “Monster – Desejo Assassino”.







