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Depoimento do ‘Faraó dos Bitcoins’ revela bilhões em criptos

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‘Eu me transformo na baleia’: o que revelou 'Faraó dos Bitcoins' sobre operação que movimentou bilhões

Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”, afirmou em depoimento à Justiça que a fortuna em criptomoedas sob custódia da Polícia Federal poderia quitar as dívidas com seus credores. Ele explicou que suas operações financeiras envolviam a captação de recursos de milhares de pessoas, o que o tornava uma “baleia” no mercado de criptomoedas, termo usado para investidores que possuem grandes volumes de ativos.

O empresário está detido desde 2021, enfrentando acusações de organização criminosa, oferta irregular de investimentos e operação de instituição financeira sem autorização. Durante seu depoimento, ele detalhou que o dinheiro era obtido por meio de contratos individuais, permitindo movimentar grandes somas no mercado.

Glaidson descreveu como entrava em contato com outras “baleias” para apostar na queda de criptomoedas, alavancando preços e impactando o mercado. Segundo ele, essas operações poderiam envolver centenas de milhões de dólares. A defesa de Glaidson nega as acusações, alegando que suas atividades não configuravam crimes contra o sistema financeiro.

A G.A.S. Consultoria, empresa fundada por Glaidson em Cabo Frio, atraía investidores prometendo rendimentos de 10% ao mês. A rede informal movia mais de R$ 38 bilhões, de acordo com a Polícia Federal. Em seu depoimento, Glaidson também revelou que o transporte de dinheiro em espécie para São Paulo era feito por helicóptero, com os valores posteriormente transferidos para as carteiras da empresa.

A lista de credores da G.A.S. ultrapassa 77 mil pessoas e empresas, com dívidas próximas de R$ 3 bilhões. Um dos investidores relatou ter vendido bens e tomado empréstimos para investir no negócio, acreditando na viabilidade dos pagamentos prometidos.

Mesmo após a prisão de Glaidson, investigações identificaram movimentações de criptomoedas, incluindo a transferência de 4.500 bitcoins, então avaliados em mais de R$ 1 bilhão, de uma conta da empresa. O paradeiro desses ativos continua sendo um mistério.

Glaidson revelou que uma quantidade significativa de criptomoedas está armazenada em uma cold wallet, sob custódia da Polícia Federal. Ele afirmou que o valor seria suficiente para pagar os credores, mas o acesso aos ativos depende de uma senha que ainda é desconhecida.

A defesa de Glaidson contesta a lista de credores e alega que a interrupção dos pagamentos ocorreu após decisão judicial. Enquanto isso, a Justiça busca esclarecer o funcionamento da empresa e o destino do patrimônio digital, com milhares de credores esperando recuperar seus investimentos.

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