No interior do Rio de Janeiro, cresce o número de jovens buscando apoio para lidar com a dependência de apostas online. Luiz Carlos, membro dos Jogadores Anônimos, destaca que adolescentes já procuram ajuda, com casos iniciando aos 14 anos. Gustavo Pereira, de 24 anos, compartilha sua experiência de perda financeira e superação após anos de vício.
Gustavo iniciou suas apostas aos 18 anos e, em seis anos, perdeu cerca de meio milhão de reais. Ele relata ter alcançado altos ganhos, mas acabou perdendo tudo, o que gerou problemas de saúde mental. Atualmente, Gustavo busca recomeçar sua vida em Lages, Santa Catarina, vendendo café nas ruas e compartilhando sua jornada de superação nas redes sociais.
Especialistas apontam que a acessibilidade das plataformas de apostas online pelo celular amplia o risco entre os jovens. Segundo dados da Unicef, uma em cada cinco pessoas começa a apostar ainda na infância. Pesquisa no Brasil revela que 9,5% dos estudantes fizeram a primeira aposta aos 11 anos.
A psicóloga Mariana Kehl explica que o cérebro jovem, ainda em formação, é mais vulnerável aos apelos das apostas, com o prazer das vitórias sobrepondo-se ao controle dos impulsos. Luiz Carlos, que superou seu vício, relembra o tempo em que as apostas eram feitas presencialmente, mostrando preocupação com o fácil acesso atual.
Relatórios indicam que 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, com muitos enfrentando endividamento. Rogério, do Jogadores Anônimos, compartilha como sua percepção mudou quando as apostas começaram a impactar financeiramente sua vida.
Pesquisas mostram que gastos com apostas afetam decisões educacionais. A ABMES aponta que 34% dos entrevistados precisaram cortar despesas com apostas para iniciar uma graduação. Paulo Chanan, da ABMES, defende a importância de um esforço coletivo para enfrentar o problema.
O recém-sancionado Estatuto Digital da Criança e do Adolescente busca aumentar a proteção online de jovens, proibindo menores de 18 anos de apostar. O advogado Felipe Moreira destaca a responsabilidade compartilhada entre plataformas, famílias e Estado.
A legislação visa também educar digitalmente as crianças, conforme explica a advogada Luana Mendes. A psicóloga Mariana Kehl ressalta o risco das influências de publicidade velada em mídias sociais. Tiago Braga, do IBICT, alerta sobre o uso de influenciadores para promover apostas entre jovens, destacando a necessidade de regulamentação rigorosa.
*Colaborou Luciene Cruz







